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Dias cinzentos

24.2.16

Há dias em que me sinto minúscula, esmagada pela imensidão de coisas que giram à minha volta. Sinto que a minha actuação não importa, sinto-me insignificante e impotente.
Há um remoinho de coisas, um constante ruído surdo que me consome e me afasta de mim como se me transportasse para outra dimensão e eu conseguisse ver-me assim,  pequena e incapaz.

Todos os dias sou avassalada pelo mundo, é a crise dos refugiados e as muitas fotografias esmagadoras que nos chegam levianamente pelas redes sociais a sugerir um like ou um bonequinho com uma lágrima, as injustiças constantes sobre as crianças e as mulheres, a crescente intolerância com as minorias e os déspotas que ganham força pelo mundo fora. 
São as constantes histórias de corrupção que nos tornam cada vez mais distantes dos que nos governam, a sensação de que somos enganados constantemente quando pagamos os serviços que nos venderam como exemplares e essenciais, que nos envenenam com o que comemos, com o que bebemos, com os produtos de higiene, com os medicamentos, com o ar que respiramos. 
É a escola que se afasta cada vez mais das crianças e dos jovens que a frequentam, são os professores e os pais desesperados que insistem em modelos proibitivos e de punição na esperança de recuperar uma autoridade perdida para sempre.

Tento agarrar-me com unhas e dentes aos pequenos nadas da minha vida, concentrar-me no amor e na beleza dos gestos simples, olhar com generosidade para os meus filhos e ajudá-los a viver cada dia de forma plena mas a consciência corrói-me e pergunto-me como posso eu fazê-los acreditar no amanhã quando o hoje me desilude tanto.
Resta-me também a mim esperar, lado a lado com eles, respirando fundo e contendo as lágrimas.
Há dias assim, dias em que a nossa bolha não é suficientemente impermeável.
São dias cinzentos estes.
Fotografias Vitorino Coragem para Nheko

Tapa a cabeça, destapa os pés!

17.12.15
Quando a casa anda mais arrumada, as publicações em atraso acumulam-se no projecto Nheko.
Quando a semana se enche de reuniões, entrevistas, sessões fotográficas e muitas horas de transcrições, a pilha de roupa para dobrar chega ao tecto e ninguém tem meias lavadas para calçar.
Quando sei exactamente o que vão ser os jantares de todos os dias da semana e há fruta no cesto, tenho embrulhos da loja no meio da sala e pilhas caixas a tapar a entrada do quarto.
Quando a página do Facebook está com uma dinâmica invejável e o Instagram vivo e actualizado, esqueço-me de comprar leite, de pagar a escola e de regar as plantas.
Quando ando a beber mais água, não apareço no ginásio.
Quando durmo bem, como mal... Quando como bem, durmo mal.
É só assim comigo?
Tapa a cabeça, destapa os pés!
Abraço e obrigada pela visita.

Quando a mãe fica doente...

13.11.15
Esta semana foi dura para mim, estive doente, sem me conseguir mexer e sem poder assegurar as tarefas e responsabilidades habituais. Eu, tal como a maioria das mulheres, não estou nada programada para estas limitações, se conseguisse deixava o corpo lá deitado na cama e vestia outro qualquer só para ir ali por a roupa a lavar, arrumar os sapatos espalhados e adiantar o jantar. 
É uma sensação terrível esta de não conseguir fazer as coisas que queremos, felizmente não tive nunca nada que me obrigasse a ser afastada da minha vida e da minha rotina, só mesmo pequenos episódios destes mas que me mostram que de facto tudo é frágil. 
Eu não me cuido nada. Não faço desporto com regularidade, sou preguiçosa demais, como muitas vezes coisas que me fazem mal e ando demasiado despreocupada com o meu peso, bebo pouca água e durmo horas insuficientes, juntando a isto uma média de 10 horas diárias no computador são mais que motivos para esta crise aguda que me deixou 3 dias quase paralisada e a perceber que sou falível e que não me adianta nada ignorar os sinais que o meu corpo me emite.
Como estou assustada tratei logo de fazer uma série de promessas:
- Dar início a uma dieta mais equilibrada com mais fruta, legumes e muitos líquidos;
- Retomar as aulas de ioga e pilates que deixei em Junho e começar a caminhar com a companhia da minha filha mais velha ao fim do dia, duas vezes por semana.
- Consultar um osteopata para corrigir a postura.
- Fazer um tratamento complementar de acupunctura, muito eficaz nestas situações.
- Deitar-me cedo pelo menos dia sim, dia não.

Mas como tudo tem dois lados como uma moeda, esta situação também permitiu perceber que a minha família é altamente funcional e autónoma, que as minhas filhas são umas doces meninas que "substituem" a mãe na perfeição, que o meu rapaz é o melhor do mundo que me sabe tranquilizar e dar o mimo necessário, que o mini rapaz está cada vez menos mini e consegue fazer cada vez mais coisas sozinho.
As fotografias seleccionadas para esta publicação foram tiradas ao logo desta semana, são momentos normais dos nossos dias, pormenores da nossa casa, pedaços da nossa vida de todos os dias.
Obrigada a esta minha família por me amparar assim e ajudar, com algum sentido de humor, a superar estes dias difíceis que estou a passar.
Bom final de semana.
Vamos aproveitar o sol!
Obrigada pela visita.

Prazo de validade

27.10.15
fotografia Vitorino Coragem
Amanhã faço 42 anos.
Decidi, quando o meu filho Raul nasceu, que esta seria a minha idade limite para ter mais filhos, ou acontecia antes ou não acontecia, portanto o meu "projecto Rosa" não passará disso mesmo.
Gostava de ter tido mais um filho, não pelo número - não acho que cinco seja melhor que quatro, tal como também não acho quatro melhor que cinco - nunca pensei nisso, a vida tem vindo a acontecer e, da mesma forma que decidimos ter este filho que já faz três anos decidimos agora não ter mais nenhum.
Eu lamento, tenho pena de não viver mais uma gravidez, de não voltar a amamentar, de não ter mais nenhum bebé pequenino. 
Também gostava que o mini rapaz tivesse um mano ou mana com idade próxima com quem pudesse partilhar, de forma mais par, a vida.
As razões são muitas, desde coisas práticas como o tamanho da casa ou até mesmo o número de lugares no carro a outras, como a qualidade de vida que temos com este filho e as oportunidades que poderemos viver com ele e que nunca fizemos com o "pacote" das 3 irmãs. Este tipo de decisões deve ser tomada a dois e neste caso tem 70% de peso de um lado, 30% do outro, não é preciso dizer qual o meu prato da balança... a verdade é que confio muito no meu companheiro, no pai dos meus filhos, ele é a pessoa mais sensata que conheço e sei que ele está certo.

Sinto-me muito feliz e realizada como mulher e preenchida com os filhos que tenho mas ficarei sempre com pena de não ter concretizado este meu desejo.
Sei que poucos me compreendem mas também não é o que procuro.
A idade é tramada, não gosto deste prazo de validade que nós mulheres temos, chateia-me mesmo que haja esta limitação mas já aceito de forma pacifica este facto e tento arrumar esta questão na minha cabeça.
Este foi só mesmo um desabafo, uma partilha e também um marco, desde o momento que aqui fica escrito tem um peso maior.
Se eu não cumprir com o que aqui escrevi, podem-me atirar ovos e tomates e chamar uma troca tintas!
Obrigada pela visita e por me lerem.
Alexandra





O meu "cansaço feliz" e uma selecção de imagens recentes

17.10.15
Uma selecção de imagens soltas tiradas nesta primeira quinzena de Outubro.
É bom parar nestes momentos e relembrar o privilégio que é esta nossa vida. Os últimos tempos têm sido de muita correria, de mais tempo fora de casa do que estávamos habituados, de novos ajustes e rotinas, de maior exigência, de agarrar novas coisas e deixar cair outras, de ter força e ser persistente, de confiar e aceitar que a vida é mesmo assim e que os sonhos não acontecem quando estamos a dormir.
Outubro é o meu mês, faço anos e comemoramos também a data de início de tudo, de toda esta nossa longa caminhada lado a lado os dois, depois a três, cinco e agora a seis.
Estou cansada mas é um "cansaço feliz", uma expressão linda que ouvi da pintora Graça Morais.
Siga Outubro, que ainda há muito para acontecer!
1. Uma careta nova

2. Os primos mais pequenos

3. Uma bola dá-lhe tanta alegria...
4. A Alice joga, a Eva assiste. Porque nem todos gostamos das mesmas coisas
5. Reflexos
6. Um sono tranquilo
7. Um miúdo estremunhado no colo da Mãe
8. Rita, Popcorn's & Milk 
9. Boca de crocodilo
10. Inventário Outono-Inverno'15|16.

Até breve e obrigada pela visita.

Nuvens cinzentas

5.10.15


A semana foi nublada para estes lados:
- A filha crescida tem períodos calmos, serenos e agradáveis mas que são curtos, tem outros em que a comunicação se torna tão difícil que a mim só me dá vontade de chorar.
- Em fases mais ocupadas desleixo-me com as tarefas domésticas, aquelas que se acumulam e nos olham com olhos acusadores quando passamos por elas... o meu calcanhar de Aquiles é, e sempre será, a roupa. Odeio tudo o que envolve roupa, separar, lavar, estender... até ir levar à lavandaria para mim é penoso. Pensámos, por razões económicas, deixar o serviço Click'dClean mas não sei se foi uma boa opção... olhando para os molhos de roupa que transbordam de tudo o que é cesto nesta casa...acho que não foi mesmo!
- O Gato Fonseca está-se a tornar um problema que não sabemos como resolver: Morde, mas morde mesmo! É para brincar mas magoa muito. Andamos todos cheios de buracos, nos pulsos, mãos tornozelos... e o pior é que ultimamente começou a dar saltos gigantes e no outro dia "atacou" a cabeça do Raul quando ele ia calmamente a passar, não o arranhou mas pregou-nos um susto de morte. Para além disto, o normal... dá cabo das plantas, manda muita coisa ao chão e faz buracos nas únicas cortinas da casa, as do quarto do mini rapazinho. Sempre que faz asneira, lá vai ele de castigo para a varanda mas mesmo aí não pára, manda vasos ao chão e no outro dia invadiu a casa dos vizinhos... Uma dor de cabeça este Gato Fonseca, alguém tem sugestões para melhorar esta nossa relação????
- O nosso mini rapaz esteve doente, febre, ranho, tosse... ficou em casa três dias, os três dias que antecederam o lançamento do meu querido Nheko. Claro que foi complicado gerir a minha disponibilidade e obrigou-me a trabalhar pela noite dentro e a estar bem mais intolerante com ele e com o mundo. Entretanto começou a fazer umas birras assustadoras! O nosso anjo que só chorava quando o rei fazia anos de repente começou a gritar, a chorar e a descabelar-se por dá cá aquela palha... ou são as meias que não estão bem, a mochila que está fechada, a irmã que não lhe deu o que queria... está irreconhecível! Já aconteceu antes ele ter algumas alterações de comportamento na sequência de um período de doença mas nunca tão drástico e dramático... falámos com o homeopata para tentar perceber se há alguma ligação com a medicação que anda a fazer e pode ser que sim... Haja esperança, quero o meu anjinho de volta! A verdade é que está com dois anos e nove meses e nesta fase é habitual haver um maior descontrolo, uma difícil gestão dos afectos, mas nós queremos acreditar que não e que vai passar ou pelo menos suavizar assim que ele estiver a 100%.

Por causa disto tudo sente-se uma nuvem cinzenta no ambiente cá em casa e isso consome-me mais energia que todo o cansaço do mundo, vou abrir as janelas de par em par e deixar entrar ar, boa energia e sorrir, mandar fora a nuvem e encher os meus dias de amor. 
Obrigada pela visita, desejo que esta seja uma boa semana para todos!

Recomeçar

21.9.15
Ainda não eram 7 da manhã e já havia meninas no banho, hoje não houve atrasos, nem correrias nem pressa. Houve sorrisos ansiosos e entusiasmo, abraços e desejos de "entradas com o pé direito".
Saímos cedo, eram 8h40 e estava de regresso a casa - Já arrumei, respondi aos email's em atraso, já fiz pagamentos, marquei consultas, organizei a agenda da semana e transcrevi metade de uma entrevista gravada para o projeto Nheko. E incrível a produtividade da frescura e do entusiasmo.
Agora fiz uma pausa para café e durante 30 minutos faço só o que tiver vontade.
É tão bom sentir a casa, ter as janelas abertas e ouvir a rua, partilhar o silêncio com o gato Fonseca... mas é bom também saber que pouco depois das 15h já vou estar a olhar para o relógio e a desejar ansiosamente começar a recolha e voltar a encher a casa de nós.
Sinto-me muito grata pela minha vida.
Desejo a todos uma boa semana e um excelente recomeço, todos os dias podem ser um bom recomeço de alguma coisa.
Obrigada pela visita.

"Este pessoal não arruma nada..."

17.9.15
Tenho tendência para reproduzir o modelo em que fui educada no que respeita às tarefas domésticas; na minha casa havia o Pai, que não fazia nada, o filho rapaz que era poupado a tudo, a Mãe, detentora de todas as tarefas e a filha - eu, aspirante a braço direito da Mãe. 
Ainda hoje esta Mãe, agora Avó lidera as tropas femininas e atropela quem se colocar no seu caminho... Faz tudo, não permite ajudas mas reclama todo o tempo que ninguém faz nada... exemplo: Uma neta está a colocar a loiça na máquina e a avó vai tirando e recolocando, a neta irritada reclama e a avó diz: "Tu é estás a fazer tudo mal... ninguém faz nada de jeito!".
Ora, fortemente marcada por este modelo sempre soube que não o queria repetir na minha casa com a minha família, mas como na vida as coisas não são bem como queremos mas sim como somos capazes, de vez em quando (mais vezes do que gostaria...) lá dou por mim a recolocar a loiça que uma das minhas filhas está a pôr na máquina. 
Ter consciência deste tipo de comportamento é meio caminho andado para a alteração do mesmo mas falta a outra metade do caminho e delegar com respeito é a minha missão para este ano.
Conseguir distribuir as tarefas não é difícil, para mim o complicado é não meter o nariz em tudo o que está a ser feito pelos outros, conseguir evitar pequenos gestos irritantes como: mexer a massa que a Eva está a cozinhar... reorganizar as compras que a Alice acabou de arrumar no frigorífico, limpar melhor o balcão que a Rita deixou com uns salpicos que só eu vejo... 
Quero muito acabar com estes gestos que destroem a boa vontade de qualquer um, que me tornam a mim a detentora de todas as tarefas, a super espetacular que faz tudo melhor que os outros mas que não se cala com reclamações de que ninguém faz nada.
E o que me fez "cair a ficha" foi ouvir o mini rapazinho, na sala, sozinho a apanhar os comandos do chão e a resmungar "Este pessoal não arruma nada...", assim, sozinho e a falar com os seus botões... a reproduzir o modelo...
Isto de nos vermos espelhados nos comportamentos dos filhos é cá um murro no estômago... mas é bom porque acelera o processo, mostra-nos a urgência da mudança. 
Desejem-me boa sorte nesta minha missão!
Bom resto de semana.

As fotografias que se seguem são meramente decorativas e não têm nada a ver com o assunto desta publicação...
Temos feito muitas pinturas e outros trabalhos plásticos mas o mini rapazinho não se entusiasma muito, a cena dele é mesmo o rock...
 Por mais que peçam e reclamem... Não! Eu não lhe corto o cabelo!
O Gato Fonseca morde-nos os calcanhares, dá saltos absolutamente incríveis e está-se a revelar um guarda redes muito talentoso.
 Por mais que se tente fazer dieta nesta casa a Eva não nos dá tréguas...
Obrigada pela visita!